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Retrospectiva de 2024: defesa da dissertação, criação de jogos, teatro acessível e muito mais

  • Foto do escritor: Patrícia
    Patrícia
  • 5 de jan.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de fev.

2024 foi um ano cheio de projectos novos de acessibilidade. Defendi a minha dissertação de mestrado, estive na comissão do III Encontro de Acessibilidade e Inclusão na Arte e no Património, escrevi para a Comunidade Cultura e Arte quando descobri a acessibilidade (e arte maravilhosa) no mundo do Teatro, e penso que o mais supreendente de todos foi participar na criação de jogos em várias Game Jams.


Achei que seria interessante como diário destes progressos e aprendizagens publicar uma retrospectiva do ano. Espero que também vos inspire descobrir que é possível fazer sempre mais e mais, e trazer a acessibilidade digital para ser usufruída por mais pessoas no mundo.

 

O mais marcante: defesa da dissertação de mestrado

Em Janeiro, a defesa dissertação de mestrado, “Websites Inacessíveis: Usabilidade e Acessibilidade Online nos Museus Portugueses” foi o culminar de vários anos de investigação sobre o que significa fazer um site, particularmente de um museu, acessível – e a importância da experiência do utilizador no geral. Fala sobre as Directrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web, a experiência subjectiva dos utilizadores, e como tudo isto se aplica em websites de museus. Tentei aplicar essas aprendizagens ao documento da dissertação, com cabeçalhos adequados, descrições (texto alternativo) para as imagens e descrições para algumas tabelas complexas; e cores para as tabelas optimizadas para pessoas daltónicas e para impressão a preto e branco.


Aprendizagem:

Que a investigação chegue a todos: sempre que possível, a acessibilidade deve ser divulgada de modo acessível.


 

 

O maior orgulho: o jogo Guiding Star

Um jogo de aventura acessível para pessoas com deficiência visual
Um jogo de aventura acessível para pessoas com deficiência visual

O jogo Guiding Star foi a surpresa deste ano, que mais orgulho me trouxe. Durante o mês de Maio (31 dias), com uma equipa de 8 colegas, criámos um videojogo visualmente rico mas também acessível para pessoas cegas. O jogador, como feiticeiro, é guiado pela sua gata por um gruta e floresta para encontrar os ingrediantes para uma poção. Escrevi um um guião com muito carinho e criatividade, e como co-Game Designer e UX Designer desenhei mecãnicas de jogo de navegação assistida, desenhei a história e mecânicas de jogo e testei-as na observação e entrevista com jogadores com e sem deficiência, de acordo como o nosso objectivo. O resultado foi um jogo encantador, acessível para pessoas cegas, mas também apelativo para quem vê.

Entre os colegas estavam o incrível artista de Pixel Art português Rafael Cruz, os incansáveis programadores Cydeamon, KoalaPanda e LordCatto, e o consultor de acessibilidade Ross Minor que, com o Zleepy, foi actor de dobragem.


Aprendizagem: dosear a ambição, mas celebrar o progresso

Este jogo terminou com alguns bugs significativos, e ensinou-me que nem tudo é possível em 31 dias, mas também nos deixou a todos muito orgulhosos ensinou que há muitas coisas que parecem impossíveis mas não são na verdade.


O mais surpreendente: criação e colaboração em jogos

Foi a primeira vez que participei em game jams, eventos em que pessoas individuais ou equipas criam um jogo durante um espaço de tempo definido (por exemplo, 2 dias, 2 semanas ou um mês). E participei logo em quatro: fui Sound Designer para a aventura point & click “A Crisis of Fae” (Novembro, 2 semanas, na AdventureX), Game Designer, entre outros papéis, para a “Guiding Star” (1 mês, Maio), Puzzle Designer para o “Sort it Out” (2 dias), e tudo isto (e também artista e programadora) para o meu primeiro jogo como desenvolvedora a solo: uma text adventure, “Mountain Ski”, feita no Quest. Além disso, é claro, fui investigadora e designer de UX para todos os jogos, com um papel activo para orientar a acessibilidade dos jogos. Para além disso, também fiz a localização para português do lindo jogo Point & Click A Path to Enlightenment, dos MostlyDecentGames.


Aprendizagem: complexidade de acessibilidade

No meio de tantos projectos, percebi que para uma ambição realista a nível de acessibilidade, é preciso haver um planeamento claro desde o início do projecto. Idealmente, aprender a programar jogos e saber usar, por exemplo, a Unity Accessibility Plugin permitiria um papel mais activo na implementação destas estratégias. Não sei se irá acontecer, mas é uma ideia para o futuro.



A surpresa mais bonita: Divulgar um teatro acessível e para a Comunidade Cultura e Arte

Em Junho assisti ao espectáculo de teatro “Tzumtzumrumtzum Tzum Pose: Get Ready for the Bacanais”, uma reinvenção da tragédia grega “As Bacantes” tornada acessível para pessoas com deficiência visual, que usava a audiodescrição como instrumento criativo. Este espectáculo que me moveu, entusiasmou e cativou por tantas razões tinha de ser partilhado. Por isso, escrevi um artigo de opinião para a Comunidade Cultura e Arte, e entrevistei as actrizes Inês Gonçalves e Matilde Cancelliere numa fascinante conversa sobre o processo criativo da peça e sobre acessibilidade e deficiência no Teatro.


Aprendizagem: fruir e arriscar

A realização do artigo e a própria entrevista foram ímpetos movidos pelo entusiasmo e paixão pelo espectáculo e a qualidade dos artistas. E valeu muito a pena conhecer as actrizes e divulgar o trabalho delas. Até a Acesso Cultura partilhou o artigo da entrevista. É bonito ver que dar voz a este tema ressoa tanto com os outros. Se nos move, também pode mover os outros. Quiçá possa mover montanhas, com pequenos sismos de cada vez.

 

... e uma miscelânea de estudos e projectos

Em Janeiro, recebi a certificação da Agência para a Modernização Administrativa do curso de Auditores e Facilitadores de Acessibilidade Web.

Para além disso, este ano comecei a dedicar algum tempo a estudar HTML, CSS e Javascript, primeiro, com o FreeCodeCamp e depois pela Khan Academy, com o objectivo de me tornar mais proficiente na correcção de problemas de acessibilidade.

Também fui convidada para ser a Web UX Designer para o evento Games for Blind Gamers Jam (a decorrer em Fevereiro de 2025), uma game jam que convida à criação de videojogos acessíveis para pessoas totalmente cegas. As minhas contribuições foram estilísticas mas também de acessibilidade, tornando a página web da jam mais conforme com as Web Content Accessibility Guidelines e também apelativa para criadores com visão com um banner decorativo.


Conclusões

O ano de 2024 trouxe-me muitas surpresas em relação a projectos na área da acessibilidade digital e web, mas descobri também que não só eu tenho muito para aprender, como ainda há bastante trabalho a fazer para que os espaços digitais sejam realmente inclusivos. Espero que 2025 me permita fazer mais a diferença, e descobri-la também no mundo à minha volta.

 
 
 

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